Domingo, Agosto 14, 2011

Minha lembrança do Chico Passeata


Quando conheci o Chico Passeata no PCdoB, o tratamento dele comigo era assim: “menina feia!”, me dava um beliscão e depois me dava um abraço bem apertado. Era tão singelo, tão doce e sempre fazia uma gracinha, de tão lindo que era.

Daí fui conhecendo a história de vida, deste grande homem, que não hesitou em sair da Universidade para fortalecer a luta  contra a Ditadura. Uma vida forjada pela convicção, pelo melhor para o povo, alguém que se dedicou de corpo e alma para que hoje tivéssemos uma democracia.

Lembro que a UJS, através da Marina organizou um teatro de fantoches para contar a vida do Chico e da Helena. Era uma mistura de comédia e drama que não tinha como não se emocionar. Foi um dos momentos em que militantes diversos, conheceram através da arte uma das histórias mais lindas do PCdoB.

No ano passado, na campanha do João Ananias, logo depois da primeira internação, o Chico apareceu na plenária dos médicos. Estava muito bem! (só faltou o chapéu, mas o suspensório estava lá). No final eu cheguei perto dele e disse: - ei, eu quero uma foto! Na primeira ele ficou bem sério. Então eu disse: - quero com aquele sorriso! E essa é a mais carinhosa e linda lembrança do Chico Passeata: um comunista destemido que merece todas as homenagens, por sua luta incansável por um Brasil melhor; seu amor pela vida e por sempre nos mostrar que: “há um caminho novo em cada beco sem saída!”

Quarta-feira, Junho 15, 2011

Transformamos o sonho em realidade na FAC!

Concluímos ontem na FAC, mais uma etapa das eleições para delegados ao 52º Congresso da UNE. A nossa chapa, ‘Transformar o Sonho em Realidade’ recebeu expressivos 539 votos, resultado de um grande gesto de confiança e credibilidade por parte dos nossos estudantes. A chapa oponente recebeu 354 e devido à votação ser proporcional, dos quatro delegados eleitos, cada chapa garantiu dois.

Para nós, essa é uma grande conquista e por isso consideramos que o mais importante nesse processo foi à movimentação política na Instituição, a alegria, as dúvidas, as propostas, as palavras de ordem e notoriamente a vontade dos estudantes de participar de um verdadeiro ato político e democrático. A ousadia da nossa turma jovem de passar em sala, defender o pré-sal, a reforma universitária, a regulamentação do ensino particular, partindo da premissa que a educação é um bem público foi fundamental na mobilização de 25% dos alunos da Faculdade. Estamos emocionadas!

Agradecemos a todos e todas que confiaram seus votos na única entidade, legítima do movimento estudantil brasileiro- a UNE, em especial aos que votaram na chapa 1 e também aos que fizeram campanha conosco da forma que foi possível. Expressamos também nossa gratidão aos professores que nos deram apoio e a bandinha de música que balançou a faculdade nos momentos de intervalo. Nosso Movimento sai dessa batalha fortalecido e consciente de que nosso papel não parou ontem, temos um DCE para construir e com esta energia retomada, desmitificamos as idéias do senso comum, que falam da morte do movimento estudantil. Esse processo nos mostrou que o ME está vivo, presente e com muita força para transformar a nossa educação e conseqüentemente a realidade brasileira. Somos prova disso!

Semestre que vem, vamos rumo ao DCE da FAC!



Hellen Vieira – aluna do 6º semestre do curso de Publicidade
Ivina Carla- aluna do 7º semestre do curso de Jornalismo

Domingo, Maio 15, 2011

Os desafios da Caravana de combate ao Crack

Na sexta- feira (13), a Central Unica das Favelas- CUFA, em conjunto com a Câmara Municipal de Fortaleza, lançaram a Caravana de Combate ao Crack. Uma boa e pertinente iniciativa, mas quero fazer algumas ressalvas das intervenções dos representantes públicos que participaram da Audiência Pública.

Existe uma tentativa plausível de construir um corrente para a conscientização sobre o uso dos entorpecentes, mas a realidade, inclusive a que foi relatada através do vídeo 'Fortaleza noiada', mostrou que diferentemente das afirmações feitas na AP, o crack não é um fenômeno exclusivo da juventude. Os depoimentos fortíssimos, desenhavam uma triste realidade, de mães que trocavam leite dos filhos por 'pedra', de policiais viciados, jovens se prostituindo para fumar entre outras lamentáveis histórias. 

Outro documentário que pude verificar o uso mais generalizado, foi na Rede Bandeirantes, no Programa apresentado pelo Rafinha Bastos, chamado 'A liga', durante os relatos sobre a cracolândia em São Paulo, encontraram vários perfis de usuários de crack, como um graduado em letras, poliglota, que inclusive deu entrevista e falou várias palavras a língua Guarani. Claro que a preocupação em afastar o crack da juventude, deve estar na ordem do dia, mas não podemos afirmar, de forma categórica, como o delegado Cavalcante fez na Tribuna, " que a nossa juventude está se perdendo no crack." 

Foram apresentadas várias defesas e uma delas colocava a tão sonhada transversalidade das pastas governamentais no enfrentamento da questão. Pois bem, transversalisar não é algo tão simples, por exemplo, como vamos envolver a educação no enfrentamento ao crack, se a dinâmica das nossas escolas são exaustivas e não tem nada de criativo? Não se pode simplesmente se limitar a fazer campanhas para os alunos, a questão é mais complexa e diz respeito a uma estrutura macro, que depende de muita disposição para modificar.Que tal criar métodos que aproximem as pessoas da escola, outras propostas que envolvam a comunidade com a educação? 

Outro argumento foi de combater o traficante, prender e ter ação mais ostensiva nas ruas para coibir e afastar as drogas da juventude. O que existe por trás desse discurso infame e sem noção por parte de um representante público? Falta de conhecimento da realidade e pouco acúmulo sobre o problema. Foi o mesmo que ouvir dizer que a redução da maioridade penal diminui a criminalidade. Não podemos achar que combatendo o traficante, o crack estará fora do circuito e todo mundo salvo. Que nada! Irão aparecer outros traficantes e outras drogas. O que muitos também não refletem é que várias pessoas chegam até o crack através do desemprego, falta de moradia, ou seja, das coisas que o grande capital proporciona e da ausência do Estado. 

Os desafios estão colocados e a Caravana precisa ganhar uma adesão e militância social. As informações veiculadas nos meios de comunicação ainda são limitados e não correspondem a uma luta que já existe. A demanda de usuários, não consegue apoio nos Centros de Reabilitação e algumas clínicas cobram 'os olhos da cara'. Os apelos de mães, pais e outros parentes são gritos que a nossa sociedade de uma forma mais geral escuta, mas não se envolve de fato. 

A Caravana nasce de uma necessidade visível, mas será preciso muita força e disposição política para garantir em um primeiro momento, apoio para os dependentes, de forma a dignificar a vida dos que usam crack. Também é  preciso avançar, tencionando para que o problema seja resolvido na sua raiz, democratizando o Estado e oferecendo ao povo o que é de direito, afastando assim essas mazelas que enfraquecem as relações sociais e colocam os indivíduos em condições degradantes.

Ívina Carla 



Domingo, Abril 17, 2011

CONFECOM: O que aconteceu com a Carta de Fortaleza?

A Conferência Nacional de Comunicação foi um longo processo que aconteceu em 2009. Nesse contexto, Fortaleza foi uma das primeiras cidades a se engajar no debate, realizando seminários, pré-conferênc ias com a cultura, juventude e direitos humanos. Mesmo com todo o acúmulo nesse rico momento para a cidade, os movimentos sociais sabiam que a parte mais difícil seria após a Confecom nacional, ou seja, o momento pelo qual passamos hoje.

É válido destacar que na etapa municipal conseguimos falar sobre a comunicação em diversas vertentes, pautamos questões polêmicas como marco regulatório,  legalização e municipalização das rádios comunitárias, diploma de jornalista para o exercício da profissão e contribuímos com o processo  aprovando a Carta de Fortaleza, cuja finalidade é auxiliar o poder público no desenvolvimento das políticas de comunicação na cidade.

Também vale registrar o conteúdo da resolução, que acrescenta a criação do Fundo Municipal de Comunicação Pública, sugerindo como forma de sustentabilidade  pelo menos 1% do IPTU de Fortaleza. Outro ponto crucial e carente de um debate urgente é a criação de uma Lei Municipal para regulamentar o uso da verba pública destinada para o setor; e se conseguirmos consolidar minimamente uma forma de distribuição mais justa,  avançaremos na ampliação da participação e inclusão dos veículos alternativos.

Infelizmente pouco tenho visto de encaminhamento real, entre tantas propostas importantes que constam na Carta e destaco como a bandeira de luta neste momento,  a criação do Conselho Municipal de Comunicação Social, na qual a sua constituição é ousada, do ponto de vista de controle social e pode nortear várias outros pontos que são reivindicados pelos movimentos, mas por outro lado ainda não enxergo nenhuma movimentação quanto à implementação desse mecanismo de participação popular.

O documento vitorioso que aprovamos, foi fruto de um diálogo franco dos mais diversos setores sociais em conjunto com a Prefeitura de Fortaleza. Esse material é de uma dimensão espetacular porque balança uma estrutura construída pelo capital, com base em ideias dominantes, que há anos conduz a nossa comunicação.  Pautas elencadas na Confecom  ao meu ver são radicais porque buscam solucionar questões que ficaram por muito tempo escondidas e a indicação de solução visa contemplar outros segmentos da sociedade de forma ampla, apontando diretrizes concretas para as políticas públicas municipais.

Portanto, nosso desafio agora é continuar a luta pela materialização das propostas aprovadas. Precisamos saber quais medidas já foram tomadas pela Gestão e o que pode ser encaminhado pelo Legislativo. Não podemos permitir que a comunicação volte a ser um debate secundário na sociedade e para isso a tarefa dos movimentos populares  é reestabelecer a importância da democratização dos meios de comunicação e cobrar do poder público  execução das pautas  aprovadas na Confecom  e assim vamos prosseguir,  rumo a uma comunicação livre e acessível para todos e todas.

Ivina Carla